O “céu e o inferno” na vida do policial

Na segunda-feira (28.06.2021), em mais um dia de serviço normal, por gratidão, as vésperas de completar 23 anos de serviço prestado na Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, um Subtenente PM auxiliado por sua equipe realizava a entrega de doces às crianças (“céu), quando foi interrompida a ação social com o anúncio de uma ocorrência de homicídio, conforme o relato a seguir, colhido na redes sociais do policial.

“No 03 de julho de 2021, completo 23 anos nas fileiras da Gloriosa Policia Militar do Estado de Mato grosso. No decorrer de minha jornada, enfrentei de tudo, medo, raiva, alegria, dor, sede, frio, fome, cansaço e muitas vezes tive a certeza que a morte passou bem perto de mim. Pensei que algumas situações não me abalava mais, mas no dia de hoje, em um momento maravilho de entrega de doces para crianças de um bairro da cidade, onde lá ganhei abraços, sorrisos, muito carinho e ouvi também muitas daquelas crianças dizendo que SERÁ igual a mim, “UM POLICIAL MILITAR”. Aahhh, como é bom ouvir isso, como é bom saber que de certa forma somos referencias para alguns, somos espelhos, somos sonhos a serem sonhados por aquelas que são o futuro de nossa nação. Mas enfim, vamos lá, enquanto eu sentia toda aquela alegria, carinho….fui interrompido bruscamente por uma chamado na rede rádio: “atenção todas as viaturas. Homicídio, seguido de tentativa de homicídio em um bairro da cidade e o autor está pelas imediações!!! Pronto, “ta” formado o que chamamos de “barata voa”, correria, pneus cantando, giro flex acionado, sirenes estridentes, adrenalina a flor da pele, tensão e por que não ter medo!!! Sim, temos medo, pois a muito tempo atrás eu li que o medo nos persegue, mas nos mantém vivos… (Jader Silveira). Chegando ao local, mais um choque de sentimentos. Tristeza pela vida perdida, choros e gritos daqueles que nos olham e esperam uma resposta, mas que resposta? Só tem um jeito! Sair a “caça”! Guarnição reunida, autor identificado, vamos lá! Equipes formadas, prontas para enfrentar novamente o desconhecido, incursão em vielas, prédios abandonados, cuidado redobrado, adentramento em ambiente ostil…putz, “varremos” o bairro e não achamos. Mais uma vez a frustação invade nosso peito, mais uma vez os gráficos das sensações se elevam e caem drasticamente, mais um dia de policial. Termino do serviço, indo embora, quando me perguntei: até quando aguentaremos esse gráfico louco de sentimentos? Como aguentamos essas oscilações de sensações? Em segundos sair de uma alegria radiante para um tristeza profunda. Como podemos suportar essa carga de sentimentos tão opostos? Não sei, mas tenho que seguir firme pois amanhã começa um novo plantão”.

Embora pareça ficção, este fato ocorreu na cidade de Campo Novo do Parecis e, a rápida resposta foi dada a sociedade por meio da prisão do criminoso.